sexta-feira, 1 de abril de 2011

well, i see skies of blue...

and i see clouds of white and the brightness of day. i like the dark and I think to myself what a wonderful world!


Hoje, conversando com uma amiga, fiquei sabendo que um conhecido dela cometeu suicídio. Fiquei arrasada. Não conhecia o garoto, ao menos sei o seu nome. O negócio é que eu sei como ele se sentia e ninguém nunca me verá apoiando um ato suicida, tampouco julgando-o.

Eu não tenho nenhuma crença religiosa. Acredito cegamente que existe um ser superior que rege todas as coisas, que nós da a vida, nos permite conhecer e experimentar as coisas do mundo e dado um certo momento, nos leva para junto dele. Você pode acreditar que seja Deus, ou Allah, na verdade não faz diferença. Basta saber que, em quem quer que seja que você acredite, o suicida é condenado. Seis anos atrás alguém que eu amava muito suicidou-se e NENHUMA  igreja aceitou velar o seu corpo. Isso me marcou profundamente. Ela foi velada em um colégio municipal, o colégio em que eu cursei a minha primeira série. Depois de ter vivido um ano gostoso da minha infância naquela escola, não posso olhá-la sem lembrar de tudo o que eu senti, o quanto eu sofri, quantas noites eu passei sem dormir pensando nela, imaginando onde ela estaria, sem pensar em tudo que aquela morte desencadeou.

Você pode estar se perguntando agora mesmo como eu sei como o colega de minha amiga se sentia. Desde o suicídio dessa pessoa que eu amava a minha vida não é a mesma. Passei anos muito difíceis e confesso, passo até hoje. Recentemente, e mais até do que eu gostaria, eu tentei o suicídio. Não foi a primeira vez, mas talvez tenha sido a vez mais séria. As pessoas veem os suicidas apenas como covardes que não souberam ou não conseguiram lidar com os problemas da vida. Estou aqui para dizer que não. Todo suicida sabe que a vida é um bem precioso demais pra ser jogado fora. Pensa na família, pensa nos amigos, no futuro, nos sonhos... não é uma decisão fácil tirar a própria vida. É um ato de total desespero, onde você acredita que só a morte pode te aliviar. Por alguns minutos pensem: o que me levaria a tirar minha própria vida? É um caminho difícil, doloroso, que poucos conseguem seguir. Quando eu me decidi, escrevi uma carta para minha mãe, pro meu pai e meus amigos e tomei vários e vários remédios misturados. Apenas meu pai leu a carta. Quando fui levada para o hospital, tive raiva. Briguei com os médicos e enfermeiros, dificultei o quanto pude o trabalho deles. Eu tinha delírios, momentos em que eu não sabia onde estava, o que estava acontecendo comigo. Meu coração ficou fraco, as vezes falhava ao bater. Enquanto eu sofria o processo da lavagem estomacal, as pessoas passavam por mim e me olhavam com pena. Alguns comentavam o que poderia ter acontecido, colocavam as mãos no ombro da minha mãe. Fui levada para um quarto onde tive um acompanhamento cardíaco pelos enfermeiros, eu não conseguia dormir. Eu tive medo. Fui vencida pelo cansaço e quando acordei no dia seguinte foi como se eu tivesse renascido.

Hoje eu valorizo mais ainda a minha vida. As pessoas que tenho junto de mim, o meu presente, meu futuro, minhas escolhas. Tento bravamente superar as dificuldades, procuro o melhor caminho. Eu sei que a maioria dos suicidas buscam na morte um jeito de vencer os problemas, mas desejam que no último minuto alguém os salve. Eu tive muita sorte...

N, H, onde quer que vocês estejam, eu estarei rezado por vocês e torcendo.

Um comentário:

  1. Camilinha sei bem o que vc sente e o que passa porque na verdade nos conhecemos exatamente falando sobre como cometer um suicídio e DEus noa ajudou muito pq se tivéssemos feito, o mundo nao teria parado, a infelicidade estaria com nossa familia e hoje nao estariamos conversando.AMO MUITO VOCÊ!

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